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Reportagem: Thiago Aquino* || Orientação: Profº Josbeth Macário || Revisão:  Dayanne Teixeira

- Material produzido entre fevereiro e abril de 2017 -

*Estudante de Jornalismo do 8º Período

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Se preferir, envie a sua mensagem ao repórter: thiagoaquino.al@gmail.com

Imagens: Mundaú Notícias

Impactos ambientais

devem provocar novos desastres

O problema do rio não é apenas provocado pela falta de chuva. Uma série de ações vem matando o Mundaú.  Um trabalho realizado entre 2011 e 2012 apresentou um diagnóstico ambiental de trechos da Bacia Hidrográfica do rio em Santana do MundaúNo áudio abaixo, Elvis Pantaleão, um dos autores e mestre em Engenharia Ambiental, explica a conclusão da pesquisa.

Após cinco anos deste estudo, a realidade não mudou. O esgoto de toda área urbana é jogado no rio sem nenhum tratamento. Com pouca água, o leito do rio parece servir apenas como canal de esgoto. Água escura e mau cheiro mostram um rio nunca visto antes. Até galinhas buscam minhocas na terra úmida.

Porcos, cavalos, bois são criados dentro do Mundaú. Com vários mandatos no Legislativo, o vereador Ivan Ferreira (PMN) reconhece que nenhuma lei municipal específica proíbe esta situação. “Não tem lei que proíba o domínio de área na margem do rio como propriedade privada para criação de animais”, diz. “Mas também não há alguma que autorize”, observa o vereador.

A Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (Adeal) não respondeu se oferece alguma ação de conscientização ou fiscalização destes pequenos produtores ribeirinhos. Até o fechamento da reportagem, ela não retornou os e-mails.

Diego Freitas, doutor em Ciência Política e membro da Associação Brasileira de Avaliação de Impacto (ABAI), aponta que para compreender o problema de escassez de água do Rio Mundaú é preciso analisar todo o contexto onde e como o rio está inserido na sociedade.

“Historicamente as aglomerações urbanas se formam a partir dos rios. Então, o Mundaú se encontra numa região antropizada, ou seja, ela traz atividades econômicas como pecuária e agricultura – que são atividades de altos impactos -, além da urbanização, resultando num processo de mudança no uso do solo e que altera as características físicas locais”, analisa Freitas.

rio mundaú foi afetado pela urbanização (foto: bacural drones / cortesia)

Ele critica a própria sociedade por não cuidar dos recursos pelos quais é beneficiada. “O problema é que a sociedade precisa do rio, mas ele não se torna uma prioridade,do ponto de vista de gestão pública, para as condições adequadas e necessárias”, afirma.

Com atuação em Avaliação de Impacto Ambiental, o professor do Centro Universitário Tiradentes, Unit, elenca as principais causas para os impactos ambientais sofridos pelo Rio Mundaú: o fim da mata ciliar, o descarte irregular de resíduos, a extração de areia e o uso de agrotóxico em áreas agrícolas.

diego freitas comenta aspectos históricos

do rio  (foto: thiago aquino)

EXTRAÇÃO DE AREIA

“Existem muitas dragas que realizam o trabalho de forma ilegal, porque falta fiscalização e monitoramento. Quantos técnicos o Instituto do Meio Ambiente (IMA) tem para poder fazer isso? Tem corpo técnico para estar em todos estes locais?” 

 

—  Diego Freitas

Também há práticas dos próprios moradores que contribuem para a degradação do Mundaú. O funcionário público Luiz Antônio, 54, reclama que existe a coleta de lixo na cidade, mas que mesmo assim o lixo vai parar no rio. “Tem gente que espera o caminhão do lixo passar, pega as sacolas e joga de rio afora”, diz o morador.

Antônio também critica a retirada de areia com as dragas. “Foram nove dragas desde a enchente que acabaram com o rio. Até uma ponte na zona rural caiu, porque antes mesmo da enchente, a draga foi puxando areia debaixo da ponte e, quando a cheia passou, a estrutura cedeu”, revela.

A reportagem solicitou informações ao Instituto do Meio Ambiente (IMA) sobre a atuação do órgão diante das ações de extração de areia em Santana do Mundaú, mas não obteve resposta por e-mail aos questionamentos.

A seca e a enchente são periódicas: 

Vão acontecer sempre nos dois extremos

e, com o desmatamento, a frequência é maior

Milena Caramori

engenheira florestal

É grande a possibilidade das cidades ribeirinhas sofrerem com uma enchente no inverno e verem o rio secar no verão. O principal motivo é o desmatamento. Quem comenta esse fenômeno é a engenheira florestal Milena Caramori, autora do estudo sobre a influência da mata ciliar na qualidade da água.

“Quando uma área é 100% florestada, de toda água precipitada temos 90% de água infiltrada no solo. As próprias árvores consomem de 60 a 70% por evapotranspiração. O restante abastece o aquífero e é essa água que vai interagir com o rio, regularizando o fluxo de água”, explica. “Em época de seca severa, é importante que este aquífero esteja abastecido para manter a vazão do rio até que venha outra chuva”.

É o que não vem acontecendo com o Rio Mundaú, como informa a engenheira ambiental: "estamos presenciando a transformação de um rio perene em emitente". 

milena diz que o desmatamento

contribui para seca e enchentes

(foto: thiago aquino)

margens do rio foram desmatadas e tornaram-se propriedade particular  (foto: thiago aquino)

Sem o ciclo natural, o desequilíbrio ambiental é inevitável e é o motivo para as mudanças climáticas e os desastres ambientais. “Uma área desmatada aumenta a taxa de escoamento superficial porque reduz a taxa de infiltração. A água que infiltraria vai escoar rapidamente em direção ao rio. Com o solo desprotegido e o saturamento da superfície, areia e terra serão carregadas pela chuva, causando assoreamento”, expõe Milena, professora do Centro Universitário Tiradentes, Unit. “Isso, no inverno, agrava o pico de cheia, porque o rio aumenta o volume rapidamente”.

Confira o vídeo e entenda como a mata ciliar protege o rio!

Professor da disciplina de Hidrologia na Universidade Federal de Alagoas, Ufal, e co-autor do artigo que analisou a enchente de 2010, Valmir Pedrosa avalia que o histórico de enchentes e o atual cenário do rio não descartam próximos desastres: “É um rio que pode oferecer grandes episódios de cheias, como já aconteceu, assim como pode apresentar períodos críticos de baixas vazões”.

Infelizmente as pessoas vão ter que sofrer para se dar conta que [bens materiais] não servem para beber e que a água acaba.

Só sentimos a sua falta quando o abastecimento fica comprometido,

mas não preservamos.

Diego Freitas

doutor em Ciência Política

Foto: Thiago Aquino

Galinhas percorrem o leito do Mundaú à procura de comida