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Reportagem: Thiago Aquino* || Orientação: Profº Josbeth Macário || Revisão:  Dayanne Teixeira

- Material produzido entre fevereiro e abril de 2017 -

*Estudante de Jornalismo do 8º Período

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Se preferir, envie a sua mensagem ao repórter: thiagoaquino.al@gmail.com

Afluentes do Mundaú desaparecem

Falta d'água compromete abastecimento

e afeta agricultura, turismo e comércio 

A Zona da Mata de Alagoas secou. A região conhecida pela abundância de água e por uma agricultura que aquece a economia está com uma paisagem totalmente diferente. Em Santana do Mundaú, a crise hídrica é uma realidade: a água poluída que ainda resta do Rio Mundaú é a única solução para a população e o desaparecimento dos afluentes tem gerado prejuízo para os agricultores e os comerciantes da região.

Os moradores vêm sofrendo com a falta de água desde dezembro de 2016. Em março deste ano, a situação de emergência foi reconhecida pela União. Com a seca severa desde o inverno de 2016, o Riacho Caruru secou. O afluente do Rio Mundaú é o responsável por abastecer os mais de cinco mil moradores da zona urbana. Só restou lama na barragem de captação d’água.

Foto: Thiago Aquino

Sem água nas torneiras, os mundauenses improvisam como podem. Percorrem quilômetros na busca por água, seja em carro de mão, bicicleta ou moto; até crianças auxiliam os pais nessa rotina. A situação obrigou a Prefeitura a recorrer ao próprio Rio Mundaú e a improvisar uma pequena barragem para captar água e distribuir aos moradores.

manoel josé barbosa, 46, comprou uma caixa maior para enchê-la

a cada 9 dias, quando chega água na torneira (Foto: THIAGO AQUINO)

Sem água nas torneiras, os mundauenses improvisam como podem. Percorrem quilômetros na busca por água: carro de mão, bicicleta, moto e até crianças auxiliam os pais. A situação obrigou a Prefeitura a recorrer ao próprio Rio Mundaú e a improvisar uma pequena barragem para captar água e distribuir aos moradores.

MANOEL JOSÉ BARBOSA, 46, COMPROU UMA CAIXA MAIOR PARA ENCHÊ-LA

A CADA 9 DIAS, QUANDO CHEGA ÁGUA NA TORNEIRA (Foto: THIAGO AQUINO)

Agricultores perdem 70% da produção

Foto: Thiago Aquino

manuel faz gesto de altura que o nível do riacho ingazeira atingia

(Foto: THIAGO AQUINO)

Antes mesmo de o Rio Mundaú chegar ao "ponto morto", a falta de chuva já afetava seus afluentes. Os agricultores que dependiam deles para a irrigação de banana hoje contabilizam os prejuízos.

 

Manuel Ferreira, 46, garante que perdeu 70% da produção de banana. No verão, a plantação era irrigada com água do Riacho Ingazeira, o que não vem acontecendo pelo "sumiço" da água. “A gente nunca perdeu bananeiras por falta de água: no inverno chovia e no verão a água do brejo era suficiente para irrigá-las. Nunca vi uma coisa dessa”, narra.

 

Maior produtora de laranja lima do país, Santana do Mundaú convive agora com a perda do amarelo das frutas espalhado pelas serras verdes. “A banana a gente ainda conseguia irrigar, mas a laranja não tem condições e só a chuva resolve”, diz Manuel.

O morador do Sítio Ingazeira declara que os agricultores foram pegos de surpresa e que o prejuízo tem comprometido o “pão de cada dia”. “É como se você estivesse contando com um dinheiro que emprestou para receber e fazer compras, mas aí o dinheiro não chega. Como é que a pessoa se vira?”, questiona, lamentando que até o comércio é atingido pela situação.

 

Para onde Manoel aponta mostrando o curso do riacho há apenas terra seca. “Isso aqui, mesmo em período sem chuva, era cheio d’água. O Ingazeira despejava uma boa quantidade de água no Rio Mundaú, mas hoje ele acaba no meio do caminho”, explica. “É uma herança de nossos pais e avós, que estamos colhendo agora, imagine o que nossos filhos e netos irão ver ainda”.

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Banho natural seca,

diminui movimento

e gera crise

Foto: Thiago Aquino

De inverno a verão, o movimento dos moradores e visitantes era intenso no banho natural Xiringa. Localizada no Sítio Mirim, a atração turística da cidade depende das águas do Rio Mirim, principal afluente do Mundaú no município. A queda d’água formava uma cachoeira e, mais adiante, a água permanecia em duas piscinas.

 

Desde 2016, os banhistas ficaram sem a diversão e o "banho de bica" para se refrescarem nas águas geladas, principalmente durante o verão. O cenário mudou. A água diminuiu e, na Xiringa, só são vistas pedras descobertas.

 

A agricultora e comerciante Rita Vicente diz que junto com a estiagem também veio a crise. Em condições normais de volume de água, a região tem o comércio aquecido, mas, com essa seca, a realidade é outra. “A gente vendia aqui de 12 a 13 grades de cervejas por domingo e, agora, não está ‘saindo’ nada”, comenta uma das responsáveis pelo banho.

 

Ela acredita que além da falta de chuva, há irrigações sendo feitas com a água do rio, o que agrava ainda mais a situação. “É só esperar pela chuva, porque não podemos fazer nada. Está difícil”, diz Rita.

fartura d'água em afluente do mundaú no verão dos anos 90

(foto: antonio reginaldo / arquivo pessoal)

disponíveis no youtube, imagens de 2011 mostram

diversão de turistas na xiringa