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Reportagem: Thiago Aquino* || Orientação: Profº Josbeth Macário || Revisão:  Dayanne Teixeira

- Material produzido entre fevereiro e abril de 2017 -

*Estudante de Jornalismo do 8º Período

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Se preferir, envie a sua mensagem ao repórter: thiagoaquino.al@gmail.com

Ainda há esperança

para o Mundaú

 Especialistas garantem que ações 

 em curto, médio e longo prazo 

 são capazes de recuperar o rio 

Foto: Thiago Aquino

Saneamento, reflorestamento e educação podem curar o Mundaú. Confira o vídeo!

Ações integradas

Valmir Pedrosa é pesquisador na área de Engenharia Sanitária, com foco em Planejamento Integrado dos Recursos Hídricos, e garante que para reverter a situação do Mundaú “não é só uma ação”.

Nunca vai ser só educação ambiental, nunca vai ser só reflorestamento, nunca vai ser só mobilização social em torno do rio, controle da extração de areia, criação do comitê da bacia do rio… É tudo isso ao mesmo tempo”, defende o professor dos cursos de Engenharia Civil e Engenharia Ambiental da Ufal.

valmir defende ações em conjunto e de imediato (foto: thiago aquino)

Da Câmara de Vereadores ao governo federal, o grande desafio de recuperar o Mundaú deve ser enfrentado por todos. “São vários órgãos que podem salvar o rio: municipais, estaduais e federais, mas é preciso que se integrem. Destacaria o papel do prefeito que conhece a realidade e, numa situação dessa, ele tem um papel importante para mobilizar e fiscalizar”, comenta Valmir.

Ele reconhece que as melhorias após cada ação serão sentidas a longo prazo. “A resposta de um reflorestamento, por exemplo, não vem em curto prazo”, orienta. “Mas ela tem que ser feita, porque deve-se estar preparado para reagir tanto a cheias quanto a secas”.

De forma resumida, ele comenta o assunto no áudio baixo. 

Solução para o Rio Mundaú - Valmir Pedrosa
00:00 / 00:00

Valmir Pedrosa

Doutor em Recursos Hídricos

ronaldo garante que melhorar a educação é um dos caminhos

para manter vivo o rio mundaú (foto: thiago aquino)

Educação ambiental

A recuperação do rio Mundaú é mais complexa do que se imagina, mas não impossível. Ronaldo Alvim, PhD em Biologia Social e mestre em Educação Ambiental, afirma que a transformação do rio vai além de “mobilizações em escolas”.

 

Observando Santana do Mundaú através do Google Mapas, ele identifica áreas que foram desmatadas e que fez secar, inclusive, o riacho que é responsável pelo abastecimento de água na cidade. “A área verde do município está desmatada e o solo maltratado. Somente através do processo de reflorestamento é possível minimizar os impactos causados ao rio para que ele tenha água de qualidade”, garante.

 

O biólogo explica que o saneamento básico é o primeiro passo: “As espécies de peixes só vão voltar quando não tiver mais esgoto no rio. É possível recuperar, mas isso será um processo após o saneamento”.

"Não acredito em mudança em curto prazo”. Ao afirmar isso, Ronaldo admite que a solução não está em apenas conscientizar, mas que o segredo está na educação: “Conscientizar não leva a mudança de hábito. Mudança de hábito se chama vontade popular e isso depende de uma educação consistente que vai levar a pessoa a pensar como ela faz para viver melhor no seu mundo”.

 

O doutor em Meio Ambiente Natural e Humano em Ciências Sociais põe em dúvida se isso é uma realidade próxima. “O problema é que a educação é falha: como esperar isso de um lugar onde poucos tiveram a oportunidade de estudar? Quantas têm ensino superior? Quem consegue, não volta mais lá”, reflete.

 

Alvim defende que o processo de educação ambiental dá-se a longo prazo e deve atingir todas as gerações. “Mesmo investindo desde a educação infantil, essas crianças e adolescentes, filhos de agropecuaristas, vão voltar para casa com uma nova visão, mas os pais e os avós vão resistir porque vivem e trabalham de acordo com a experiência daquilo que já foi repassado a eles”, analisa o professor.

 

Para essas pessoas, há uma necessidade de oferecer acompanhamento de técnicos sobre melhores formas de cultivar o solo, as plantações e preservar o meio ambiente. “Quer ver mudanças nas práticas da agricultura? Implanta no município ações da EMATER, Instituto de Inovação para o Desenvolvimento Rural Sustentável de Alagoas, pessoas competentes que queiram mudar a concepção que os agricultores têm”, sugere.

Coordenador de especializações em Políticas Públicas e Planejamento Governamental e Gestão de Cidades, Diego Freitas lembra que a preservação e recuperação do Rio Mundaú é um trabalho também da comunidade, mas sobretudo do poder público. “Seu Zé e dona Maria deveriam pensar nas próximas gerações, não jogando sofá no rio, por exemplo. Deveriam... No entanto, não é compreensível a omissão do poder público, pois ter um Estado é para que haja planejamento”.

 

O professor reforça que se um dos responsáveis pelo rio deixa de cumprir com seu papel, a situação não vai mudar. “Recuperar o Rio Mundaú demanda ações que não podem contar apenas com poder público, tem que contar com a sociedade civil, associação de moradores e universidades. É absolutamente todos. Caso contrário, não vai dar certo e será um fracasso”, alerta.

POPULAÇÃO + PODER PÚBLICO + OMISSÃO = SEM RIO

Imagens: Thiago Aquino

Diego Freitas

Doutor em Ciência Política

Comitê poderia impulsionar

a busca pela recuperação de rio

Foto: Thiago Aquino

miranda afirma que falta de articulação

prejudica o rio mundaú (foto: ascom / cbhsf)

Reunir representantes da sociedade civil e do poder público, discutir e integrar ações públicas e privadas para proteger os mananciais e contribuir para o seu desenvolvimento sustentável. Este é objetivo dos Comitês de Bacias Hidrográficas (CBH). A proposta é descentralizar o gerenciamento dos recursos hídricos, ou seja, não permitir que apenas o Estado assuma o poder de decisões, mas que até quem vê as águas de perto possa opinar e acompanhar as ações.

 

Tudo isso seria realidade na Bacia do Rio Mundaú se ela contasse com um comitê. Quem explica o porquê disso é Anivaldo Miranda, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF). “A falta de um comitê prejudica a integração dos usuários e permite que o gerenciamento dos recursos hídricos deixe de ser feito pela sociedade, pelos usuários, e seja exercido pelo governo federal, já que a bacia hidrográfica está interligada com a do Rio Paraíba do Meio”, diz Miranda.

comitê da bacia do são francisco realiza obras

com recursos da cobrança pelo uso da água (foto: ascom / cbhsf)

Com mais de 15 anos de criação, a atuação do CBHSF chama atenção até de outros países, como Japão e Alemanha, onde o Comitê já foi convidado para apresentar as experiências e avanços. “Podemos elencar o nosso plano de recursos hídricos da bacia, documento que gerencia os recursos hídricos pelos próximos dez anos; a cobrança pelo uso da água, instrumento que possibilitou o financiamento de planos de saneamento básico em mais de 60 municípios; além da articulação com seminários e oficinas em toda a bacia”, cita o presidente.

São Paulo despoluiu rio em 30 anos. Confira a reportagem do JN exibida em março de 2017!

O que diz a ANA

 

A Agência Nacional das Águas, ANA, garante que “tem trabalhado com os estados de Pernambuco e Alagoas no sentido de apoiar a implementação da gestão de recursos hídricos nas duas unidades da federação”. O órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente informou que estudos estão sendo elaborados sobre as bacias hidrográficas do Mundaú e do Paraíba para discussões previstas para agosto deste ano.

 

Questionada se a Prefeitura Municipal poderia solicitar algum projeto de preservação e/ou recuperação do rio, a Agência, que atua nacionalmente no gerenciamento de recursos hídricos, lembrou do projeto Produtor de Água que estimula a política de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). “O Programa apoia, orienta e certifica projetos que visem a redução da erosão e do assoreamento de mananciais no meio rural, propiciando a melhoria da qualidade e a regularização da oferta de água”, informou.

A ANA contabiliza, hoje, 42 iniciativas criadas pelo Brasil, com destaque para Minas Gerais e São Paulo com cerca de 70% dos projetos Produtores de Água. Há previsão de investimentos de R$ 30 milhões em novos projetos produtores de água até o final de 2019. “Esses projetos são voltados a produtores rurais que se proponham, voluntariamente, a adotar práticas em suas propriedades com vistas à conservação de solo e água. Eles possibilitam a remuneração dos produtores participantes proporcionalmente ao serviço ambiental prestado”, explica.

 

Para ser beneficiado com um dos projetos, o Município deve ficar atento aos editais que são lançados pela ANA a cada três ou quatro anos. O último foi lançado em 2014 e selecionou 18 projetos que recebem apoio técnico, institucional e financeiro. “Os pagamentos diferem entre R$ 120,00 e R$ 800,00 por hectare por ano a depender da área e do serviço ambiental prestado. São feitos por depósito nas contas dos produtores rurais beneficiários”, explica a assessoria.